PRP na Ortopedia: O Que É, Como Funciona e Quando é Indicado

21 de fevereiro de 2026

PRP na Ortopedia: O Que É, Como Funciona e Quando é Indicado
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Medicina Regenerativa e Infiltrações

O PRP na ortopedia, também chamado de plasma rico em plaquetas, é um tratamento realizado com uma amostra do próprio sangue do paciente. Após um processo de preparação, obtém-se uma fração do plasma com maior concentração de plaquetas, que pode ser aplicada em uma articulação, tendão ou outra estrutura musculoesquelética selecionada pelo ortopedista.

O tratamento com PRP é estudado principalmente para casos de artrose, tendinopatias e algumas lesões esportivas. Seu objetivo não é “criar uma articulação nova” nem garantir regeneração completa da cartilagem. Em pacientes adequadamente selecionados, ele pode ajudar no controle da dor, na melhora da função e na recuperação do movimento.

Os resultados, entretanto, não são iguais para todas as pessoas. A indicação depende do diagnóstico, do grau da lesão, dos tratamentos já realizados, dos objetivos do paciente e do protocolo utilizado.

Neste conteúdo, você entenderá:

  • o que é PRP;

  • como o plasma rico em plaquetas funciona;

  • como é realizada a aplicação;

  • quais problemas podem ser tratados;

  • o que os estudos mostram;

  • quais são suas limitações;

  • as diferenças entre PRP, ácido hialurônico e aspirado de medula óssea.

O que é PRP na ortopedia?

PRP é a sigla para plasma rico em plaquetas. Trata-se de um produto obtido a partir do próprio sangue do paciente, por isso é classificado como autólogo.

As plaquetas são componentes sanguíneos conhecidos por sua participação na coagulação. Elas também armazenam e liberam proteínas e fatores de crescimento envolvidos na comunicação celular e nos processos naturais de cicatrização dos tecidos.

Para preparar o PRP, uma quantidade de sangue é coletada e processada em uma centrífuga. Esse processo separa diferentes componentes sanguíneos e permite selecionar uma fração com maior concentração de plaquetas.

Dependendo do método utilizado, o PRP pode apresentar diferenças na concentração de plaquetas, leucócitos e outros componentes. Isso é importante porque nem todo PRP é igual, e os protocolos utilizados podem influenciar a resposta ao tratamento.

Como o PRP funciona?

O PRP atua no ambiente biológico da região tratada. Após a aplicação, as plaquetas liberam substâncias que participam de diferentes etapas da resposta tecidual.

Entre os efeitos estudados estão:

Modulação da inflamação

O PRP pode interferir em mecanismos inflamatórios relacionados à dor e à degeneração dos tecidos. O objetivo não é eliminar completamente a inflamação, mas favorecer um ambiente mais equilibrado para a recuperação.

Comunicação com células locais

Os fatores liberados pelas plaquetas podem atuar sobre células presentes nos tendões, músculos, ligamentos e articulações.

Apoio ao processo de reparação

Em determinadas lesões, o PRP pode complementar o processo natural de cicatrização. Isso não significa que ele reconstrua sozinho um tendão rompido ou regenere completamente uma cartilagem desgastada.

Melhora da dor e da função

Alguns pacientes apresentam redução da dor e melhora funcional após o tratamento. A intensidade e a duração dessa resposta variam conforme o diagnóstico e as características individuais.

O PRP regenera a cartilagem?

Não é correto afirmar que o PRP regenera completamente uma cartilagem desgastada.

Alguns estudos investigam possíveis efeitos do PRP sobre células e mediadores presentes na articulação. Na prática clínica, porém, seu principal objetivo é melhorar sintomas e função em pacientes selecionados, especialmente em determinados casos de artrose leve ou moderada.

Por isso, o PRP deve ser apresentado como uma possibilidade de tratamento biológico para controle de sintomas e melhora funcional, e não como uma promessa de cura da artrose.

Como é feito o procedimento de PRP?

O procedimento costuma seguir algumas etapas:

  1. avaliação ortopédica e confirmação do diagnóstico;

  2. análise das indicações e contraindicações;

  3. coleta de uma quantidade de sangue do paciente;

  4. processamento do sangue em centrífuga;

  5. separação da fração que será utilizada;

  6. preparação da região;

  7. aplicação do PRP no local planejado.

Em muitas situações, a aplicação pode ser realizada com auxílio do ultrassom. A imagem permite visualizar a anatomia durante o procedimento e direcionar a agulha para a estrutura escolhida.

O tempo total varia conforme o protocolo, a região tratada e a estrutura do serviço. Geralmente, o paciente recebe alta no mesmo dia.

Para que serve o PRP na ortopedia?

O PRP pode ser considerado em diferentes problemas musculoesqueléticos. A existência de uma lesão, entretanto, não significa que o procedimento esteja automaticamente indicado.

PRP para artrose do joelho

A artrose do joelho é uma das condições mais estudadas em relação ao plasma rico em plaquetas.

Algumas pesquisas mostram redução da dor e melhora funcional em pacientes com artrose sintomática, principalmente em quadros leves ou moderados. Entretanto, a magnitude do benefício varia, e ainda há diferenças importantes entre protocolos, número de aplicações e características dos pacientes.

O PRP não corrige deformidades, não substitui uma articulação gravemente comprometida e não elimina a necessidade de cirurgia em todos os casos.

PRP para tendinopatias

O plasma rico em plaquetas também é utilizado em algumas tendinopatias, especialmente quando dor e limitação persistem apesar de um tratamento conservador bem conduzido.

Entre as condições estudadas estão:

  • tendinopatia do manguito rotador;

  • epicondilite lateral;

  • tendinopatia patelar;

  • tendinopatia do calcâneo;

  • tendinopatias do quadril;

  • lesões tendíneas parciais selecionadas.

Os resultados científicos não são uniformes para todos os tendões. Em alguns casos, o PRP pode ajudar no controle dos sintomas; em outros, não demonstra vantagem relevante sobre alternativas disponíveis.

PRP para lesões do manguito rotador

O PRP pode ser avaliado em determinados pacientes com tendinopatia ou lesões parciais do manguito rotador.

A indicação depende da extensão da lesão, do tempo de sintomas, da força do ombro, dos exames de imagem e da resposta à fisioterapia. O procedimento não substitui automaticamente a reabilitação e não é adequado para todas as rupturas.

Em lesões completas, extensas ou associadas a perda importante de força, outras formas de tratamento podem ser necessárias.

PRP para epicondilite

A epicondilite lateral, conhecida popularmente como “cotovelo de tenista”, é outra condição em que o PRP pode ser considerado.

Normalmente, a decisão é tomada após analisar há quanto tempo a dor está presente, quais tratamentos já foram realizados e quanto o problema interfere no trabalho, no esporte e nas atividades diárias.

PRP para lesões musculares e esportivas

O PRP também é estudado em lesões musculares e ligamentares. Contudo, não é possível afirmar que ele acelera a recuperação de todos os atletas.

O tempo de retorno ao esporte depende de fatores como tipo e extensão da lesão, modalidade esportiva, qualidade da reabilitação, força, mobilidade e resposta individual.

O tratamento deve ser integrado a um planejamento de recuperação, e não utilizado isoladamente como atalho para o retorno precoce.

Quem pode se beneficiar do tratamento?

O PRP pode ser discutido quando existe:

  • diagnóstico musculoesquelético bem definido;

  • persistência de sintomas apesar do tratamento inicial;

  • indicação compatível com as evidências disponíveis;

  • expectativa realista sobre os resultados;

  • possibilidade de combinar o procedimento com reabilitação;

  • ausência de contraindicações relevantes.

A decisão não deve ser baseada apenas na existência de dor. É necessário identificar a origem do problema e avaliar se o PRP realmente acrescenta valor ao tratamento.

Quando o PRP pode não ser a melhor opção?

O tratamento pode não ser recomendado ou precisar ser adiado em situações como:

  • infecção ativa;

  • alterações hematológicas relevantes;

  • distúrbios importantes de coagulação;

  • uso de medicamentos que exijam avaliação específica;

  • ausência de diagnóstico definido;

  • lesão que necessite de outra abordagem;

  • artrose muito avançada com deformidade e grande limitação;

  • expectativa de regeneração completa ou resultado garantido.

Esses critérios não substituem uma avaliação médica individual.

Quantas aplicações de PRP são necessárias?

Não existe um número universal de aplicações.

Alguns protocolos utilizam uma única aplicação. Outros adotam uma série de aplicações, especialmente em determinados casos de artrose. A escolha depende da condição tratada, da preparação do PRP, da literatura utilizada como referência e da avaliação do ortopedista.

Mais aplicações não significam necessariamente um resultado melhor.

Em quanto tempo o PRP começa a fazer efeito?

A resposta não costuma ser imediata.

Alguns pacientes percebem melhora progressiva ao longo das semanas, enquanto outros precisam de um período maior de acompanhamento. Também existem pacientes que apresentam pouca resposta ou nenhuma melhora clinicamente relevante.

Como o objetivo é influenciar processos biológicos e funcionais, a evolução deve ser acompanhada junto com a reabilitação, o controle de carga e os demais componentes do tratamento.

Quanto tempo dura o efeito?

A duração do benefício é variável e não pode ser garantida previamente.

Ela depende de fatores como:

  • diagnóstico;

  • grau da lesão;

  • idade e condições clínicas;

  • peso e composição corporal;

  • demanda esportiva ou profissional;

  • força muscular;

  • adesão à fisioterapia;

  • controle de carga;

  • protocolo utilizado.

Por isso, não é adequado prometer um período fixo de resultado.

PRP dói?

A coleta de sangue costuma ser semelhante à de um exame laboratorial. A aplicação pode provocar desconforto, pressão ou dor transitória no local.

A experiência varia conforme a região tratada e a sensibilidade individual. O médico pode explicar antecipadamente as medidas utilizadas para tornar o procedimento mais confortável.

Quais são os possíveis efeitos adversos?

Como o PRP é preparado a partir do próprio sangue do paciente, o risco de reação imunológica ao material é reduzido.

Ainda assim, todo procedimento invasivo possui riscos. Os efeitos mais relatados são:

  • dor temporária;

  • sensibilidade no local;

  • inchaço;

  • rigidez transitória;

  • desconforto nos primeiros dias.

Complicações como infecção, sangramento ou lesão de estruturas são menos frequentes, mas precisam ser consideradas. Técnica adequada, assepsia e indicação correta são fundamentais para a segurança.

O que fazer depois da aplicação?

As orientações após o procedimento devem ser personalizadas.

Dependendo da estrutura tratada, o médico pode recomendar redução temporária de determinadas atividades, controle de carga e reinício progressivo dos exercícios. Em alguns casos, a fisioterapia é mantida ou retomada de maneira planejada.

Não existe uma regra de retorno ao treino que seja válida para todos os pacientes. O momento adequado depende da lesão, da resposta ao procedimento e do programa de reabilitação.

Também é importante conversar com o médico antes de modificar ou suspender qualquer medicamento.

PRP, ácido hialurônico ou aspirado de medula óssea: qual é melhor?

Não existe uma opção universalmente superior para todos os diagnósticos.

PRP

É preparado a partir do sangue e fornece uma concentração de plaquetas. É estudado principalmente para artrose do joelho e determinadas tendinopatias.

Ácido hialurônico

É utilizado principalmente dentro de articulações. Seu objetivo está relacionado às propriedades viscoelásticas do ambiente articular e ao controle dos sintomas.

Aspirado ou concentrado de medula óssea

É obtido por meio da aspiração da medula óssea e possui composição diferente do PRP. É um procedimento mais complexo, com outras características, custos e evidências.

O aspirado de medula óssea não deve ser apresentado automaticamente como uma opção “mais forte”, destinada a casos avançados ou indicada somente após falha do PRP. A escolha precisa considerar diagnóstico, evidências disponíveis, riscos, complexidade e objetivos terapêuticos.

Em algumas situações, tratamentos podem ser associados. Em outras, nenhum deles será a melhor escolha.

O que os estudos científicos mostram sobre o PRP?

As evidências sobre PRP são promissoras para algumas condições, mas não permitem generalizações.

Na artrose do joelho, diversos estudos identificam melhora de dor e função em determinados grupos de pacientes. Algumas análises mostram resultados superiores aos de outras infiltrações, enquanto outras apontam benefício modesto ou relevância clínica incerta.

Nas tendinopatias, os resultados também variam. O tipo de tendão, o estágio da lesão, a preparação do PRP e o tratamento usado para comparação influenciam os resultados.

Essa variação acontece porque existem diferenças entre:

  • métodos de preparo;

  • concentração de plaquetas;

  • presença ou ausência de leucócitos;

  • volume aplicado;

  • número de aplicações;

  • local e técnica de aplicação;

  • gravidade da lesão;

  • protocolos de reabilitação.

Portanto, dizer apenas que “o PRP funciona” ou “não funciona” simplifica uma questão que depende muito da indicação e do protocolo.

O PRP substitui a fisioterapia?

Na maioria das indicações ortopédicas, não.

O PRP pode integrar um plano que também inclua:

  • fisioterapia;

  • fortalecimento muscular;

  • mobilidade;

  • ajuste de carga;

  • melhora da técnica esportiva;

  • controle de peso, quando necessário;

  • correção de fatores biomecânicos;

  • acompanhamento ortopédico.

A aplicação isolada, sem tratar os fatores envolvidos na sobrecarga ou na perda funcional, pode limitar o resultado.

O PRP substitui uma cirurgia?

O PRP não deve ser apresentado como substituto universal da cirurgia.

Em alguns pacientes, o tratamento conservador pode controlar os sintomas e permitir a continuidade das atividades sem necessidade imediata de uma operação. Isso, porém, depende do diagnóstico e da gravidade do problema.

Lesões extensas, instabilidade, deformidades, perda significativa de força ou comprometimento articular avançado podem exigir outras abordagens.

Vale a pena fazer PRP?

A resposta depende de três perguntas:

  1. O diagnóstico possui uma indicação razoável para o PRP?

  2. O paciente já realizou ou realizará os outros componentes necessários do tratamento?

  3. Os benefícios possíveis justificam o investimento, os riscos e as limitações no caso específico?

O custo-benefício não deve ser analisado apenas pelo preço da aplicação. É necessário considerar a qualidade da avaliação, a preparação utilizada, a precisão da aplicação, o acompanhamento e a integração com a reabilitação.

Perguntas frequentes sobre PRP na ortopedia

PRP é corticoide?

Não. O PRP é preparado a partir do sangue do próprio paciente e possui composição e mecanismo diferentes dos corticosteroides.

PRP é célula-tronco?

Não. PRP é uma preparação rica em plaquetas. Ele não deve ser anunciado como tratamento com células-tronco.

O PRP pode ser aplicado com ultrassom?

Sim. O ultrassom pode ser utilizado para visualizar a anatomia e orientar a aplicação em determinadas articulações, tendões e estruturas.

Uma aplicação é suficiente?

Pode ser suficiente em alguns protocolos, mas outros utilizam mais de uma sessão. A indicação deve ser individualizada.

O PRP funciona para qualquer tipo de artrose?

Não. Os resultados tendem a variar conforme a articulação, a gravidade da artrose e as características do paciente.

O PRP cura tendinite?

Não é adequado prometer cura. O PRP pode ajudar alguns pacientes, mas precisa fazer parte de um plano que trate também força, mobilidade, carga e fatores biomecânicos.

Posso trabalhar após o procedimento?

Depende da região tratada e do tipo de trabalho. Atividades físicas intensas ou movimentos repetitivos podem exigir adaptação temporária.

Posso treinar depois do PRP?

O retorno deve ser gradual e orientado. Não existe um prazo único válido para todas as lesões.

Conclusão

O PRP na ortopedia é uma opção terapêutica preparada com o próprio sangue do paciente e estudada para condições como artrose do joelho, tendinopatias e algumas lesões musculoesqueléticas.

Em pacientes selecionados, pode contribuir para redução da dor e melhora funcional. Entretanto, não oferece resultado garantido, não regenera completamente a cartilagem e não substitui automaticamente fisioterapia, fortalecimento ou cirurgia.

A melhor indicação começa com um diagnóstico correto, análise da gravidade da lesão e definição de um plano individualizado.

Para saber se o PRP faz sentido para o seu caso, procure uma avaliação ortopédica. Durante a consulta, poderão ser discutidos os benefícios possíveis, as limitações, as alternativas e as etapas do tratamento.

Dr. João Basmage
Ortopedia e Traumatologia
Campo Grande – MS
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